O reajuste da tarifa de ônibus surpreendeu e deixou os usuários do transporte público de Curitiba descontentes, principalmente os estudantes. R$ 0,50 por passagem representa um aumento de cerca de R$ 22,00 no fim do mês, para quem trabalha de segunda a sexta-feira e pega apenas dois ônibus por dia.


Muitos usuários ficaram revoltados com a alta na tarifa transporte coletivo, que entrou em vigor na manhã desta quarta-feira (1°). Inclusive, alguns usuários não tinham conhecimento desse aumento e ficaram bastante surpresos.

 

Mesmo quem já esperava pelo aumento e não sente esse impacto diretamente no bolso, como Evelin Miranda, que recebe vale-transporte, também acredita que para uma parcela da população esse aumento é bem significativo.

Para a usuária do transporte público da capital, Paola Nunes, o reajuste deveria ter sido anunciado com antecedência.

Entre os estudantes também houve indignação com a alta no valor da passagem de ônibus na capital paranaense. Mariana Chagas, presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), afirmou que essa correção vai acarretar um grande impacto para os alunos.

 

 

Mariana Chagas ressaltou que, a partir de agora, o valor gasto com passagem de ônibus corresponde a uma parcela considerável do salário mínimo para alguns estudantes.


Segundo a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas, o passe estudantil em Curitiba ainda é muito limitado, apenas duas passagens por dia, excluídos os finais de semana, e o processo para obter é extremamente burocrático e demorado. Além disso, de acordo com a UPES, apenas uma parcela restrita dos estudantes de capital possuem o passe livre.

Outro questionamento levantado pela UPES, é que o aumento para R$6,00 pode causar uma evasão escolar, além de impedir o contato dos jovens com atividades culturais e de lazer que a cidade tem a oferecer.

O especialista em Transporte Coletivo, Lafaiete Neves, classificou como um “assalto” ao bolso do curitibano o aumento repentino.

Segundo Lafaiete Neves, as empresas que operam o transporte público de Curitiba não têm os custos que são apresentados em relação ao combustível.

Conforme a Urbs, o reajuste de R$ 0,50 corresponde a 9% e ficou abaixo do aumento dos custos do transporte coletivo na cidade, que acumulou alta acima de 13% no último ano. A Urbs ainda ressaltou que a tarifa é reajustada no fim do mês de fevereiro de cada ano, com base na variação dos custos do transporte público. As únicas exceções aconteceram durante a pandemia da Covid-19, em 2020 e 2021, época em que a tarifa ficou congelada. Já em 2022, o reajuste aplicado foi de 22%, quando passou de R$ 4,50 para R$ 5,50.