O número de pessoas internadas na rede pública de saúde, com lesões causadas por acidentes de trânsito, bateu recorde em 2021. Dados do Ministério da Saúde apontaram que foram, em média, 642 internamentos por dia. Em 2020, o país também registrou cerca de 188 mil internações de pessoas envolvidas em acidentes de trânsito. Já em 2021, o número aumentou 24% e subiu para 234 mil.

O levantamento ainda mostrou que as medidas de distanciamento social, impostas em razão da pandemia da Covid-19, não impediram o aumento da violência nas estradas.

Quem sente os efeitos da quantidade elevada de acidentes são os profissionais de saúde de hospitais com atendimento de trauma e emergência. Eles vivem o desafio constante de atender pessoas lesionadas em ocorrências de trânsito, como acontece no Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, que faz, em média, 147 mil atendimentos por ano, entre internamentos, urgências e emergências, cirurgias e consultas ambulatoriais.

O HUC também concentra grande parte dos atendimentos de trauma da capital e da Região Metropolitana de Curitiba. Em 2021, durante a pandemia, o complexo médico registrou mais de 2,6 mil pacientes internados por acidentes de trânsito. Apenas no período de janeiro a agosto do ano passado foram 1,7 mil atendimentos, 200% a mais do que o registrado no mesmo período deste ano, com 556 atendimentos.

Segundo dados do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), apesar de as motocicletas representarem poco mais de 11% da frota total de veículos da capital, os seus condutores se envolveram em cerca de 66% dos acidentes com vítimas. Isso mostra que os acidentes com motocicletas são maioria em Curitiba. O levantamento apontou que a cada três horas e meia uma pessoa fica ferida em acidente com esse tipo de veículo.

Foram 1,4 mil ocorrências com motocicletas, motonetas ou ciclomotores nos primeiros sete meses deste ano e o Hospital Universitário Cajuru sente diretamente o reflexo desses números. Até agosto de 2022, do total de pacientes atendidos por causa de batidas no trânsito, 62% eram motociclistas.

O emergencista do Hospital Universitário Cajuru, Gleicon Oliveira da Rosa, afirma que a violência no trânsito acontece pelo desrespeito à legislação.

 

O médico comenta que o número de idosos atropelados, por causa da imprudência de muitos motoristas, também é alta.

 

Gleicon Oliveira da Rosa explica que o excesso de acidentes de trânsito impacta no atendimento dos hospitais.

 

O excesso de velocidade, ingestão de álcool e uso do celular são alguns dos principais fatores que podem levar a um acidente de trânsito. A violência nas pistas faz mais de meio milhão de vítimas anualmente. A cada minuto, pelo menos uma pessoa fica inválida e, a cada 12 minutos, uma pessoa morre. Isso coloca o Brasil como o quarto país com maior número de acidentes de trânsito no mundo. É o que aponta o Observatório Nacional de Segurança Viária.

No Paraná, os acidentes de trânsito também provocam milhares de mortes todo ano, além de incapacidade física e sequelas pelo resto da vida. A média é de um acidente a cada 12 minutos e quatro vidas perdidas por dia. Dados do Corpo de Bombeiros mostram que 2022 está sendo o ano com mais ocorrências no trânsito paranaense desde 2020, e o segundo com mais mortes desde 2018.