O motorista de caminhão que dirigia em alta velocidade e causou diversos estragos no fim de semana, em Curitiba, levantou uma importante questão sobre a jornada excessiva de trabalho, à qual muitos motoristas estão sujeitos, e também sobre o uso de substâncias estimulantes.

Para evitar que caminhoneiros e motoristas de transporte rodoviário trabalhem por muitas horas seguidas, em 2015, entrou em vigor a Lei do Descanso, que determina intervalo de 30 minutos a cada seis horas de trabalho, para quem transporta cargas, e 30 minutos a cada quatro horas de trabalho para quem faz o transporte de passageiros. De acordo com a lei, é proibido passar mais de cinco horas e meia ao volante sem interrupção. Além disso, a legislação define que os motoristas tenham 11 horas ininterruptas de descanso, para cada oito horas de jornada diária.

Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), aponta que existem caminhoneiros que passam até 13 horas por dia ao volante, o que representa grande risco a todos as pessoas que estão nas estradas.

A finalidade da Lei do Descanso é garantir o bem-estar dos motoristas profissionais para evitar que fiquem sobrecarregados e causem acidentes ou desenvolvam doenças relacionadas ao trabalho em excesso.

Segundo a Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Paraná (Fetropar), prazos curtos e pressão dos patrões, para o cumprimento de longas distâncias, levam os trabalhadores a usarem substâncias estimulantes. De acordo com a entidade, estudos indicam que um em cada três motoristas podem estar dirigindo sob efeito de drogas nas rodovias do país.

Toda essa situação voltou a ser debatida após o motorista Nilson Pedro dos Santos, de 35 anos, ser preso em flagrante depois de dirigir por mais de 130 km, entre Ponta Grossa, nos Campos Gerais e Curitiba, e cometer várias infrações de trânsito no último sábado (14).

Nilson deixou um rastro de destruição por várias ruas e bairros da capital. Foram pelo menos 12 veículos danificados dentro de Curitiba e seis na BR 277. Durante o percurso toda carga de engradados de cerveja que ele carregava no caminhão ficou pelo caminho.

O teste do bafômetro confirmou 0,14 miligramas de álcool por litro de ar expelido.

Durante o depoimento, o motorista admitiu que bebeu e usou drogas antes de pegar a estrada.

Nilson explicou o que o levou a entrar em surto, já que imaginava que havia pessoas em cima da carroceria do caminhão.

O advogado especializado em direito penal, Frederico Brusamolin, falou sobre os possíveis crimes cometidos pelo motorista.

De acordo com os legisladores, a Lei do Descanso é de extrema importância para a saúde física e mental dos motoristas de transportes rodoviários. Por isso, deve ser cumprida sempre, sem exceções.