Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) apontou que são necessários R$ 5,45 bilhões de reais para recuperar os pontos considerados críticos da malha rodoviária no Paraná. Um estudo divulgado recentemente pela entidade apontou que o estado tem 36 locais com problemas estruturais em estradas estaduais e federais.

Para quem precisa das rodovias para transitar de um ponto a outro do Paraná, as queixas são inúmeras. O caminhoneiro Pedro Donizete, que passa sempre pela BR-277 entre Curitiba e o litoral, que ficou por dois anos sob cuidados do poder público, reclamou que diversos problemas precisam ser resolvidos. A expectativa é que a volta do pedágio melhore o cenário.

No início de fevereiro, foram assinados os contratos das duas primeiras concessionárias que arremataram lotes de rodovias estaduais e federais no Paraná. A partir do fim do mês, elas estarão oficialmente responsáveis por trechos importantes, como a BR-277 e a BR-376. Na região de Campo Largo, as reclamações são os congestionamentos, como avaliou o motorista Gilberto Bubola.

Boa parte dos problemas existentes hoje nas rodovias paranaenses está relacionada à falta de modernização do sistema rodoviário. A diretora-executiva adjunta da CNT, Fernanda Rezende, explicou que as estradas projetadas no Brasil há mais de 50 anos não acompanharam as mudanças nos formatos de veículos e o aumento da frota de automóveis ao longo das décadas.

As duas concessionárias que adquiriram trechos de rodovias nas regiões metropolitana, Centro-Sul, Campos Gerais e Litoral ficarão responsáveis por investir mais de R$ 30 bilhões nas estradas que passarão a ser pedagiadas. A volta da cobrança da tarifa está prevista para o mês de março, segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEIL).

Para Miguel Ângelo Pricinote, fundador do Fórum Nacional de Mobilidade, o Mova-se, as obras são necessárias. O crescimento da quantidade de veículos de carga e passeio nos últimos anos sobrecarregou as rodovias que têm traçado antigo e exigem melhorias para suportar a demanda existente na atualidade.

Os problemas nas rodovias, como buracos e deslizamentos, exigem uma resposta rápida, que nem sempre aparece quando as estradas estão sob cuidados do poder público. A burocracia e a dificuldade em obter recursos acabam dificultando os reparos que poderiam ser realizados com maior agilidade. A privatização, para a representante da CNT, deverá ser benéfica.


SAIBA MAIS:


Por fim, o levantamento apresentado pela CNT indicou que os investimentos previstos para as rodovias, que são bem acima dos R$ 5,45 bilhões necessários para os reparos emergenciais, serão essenciais para melhorar a infraestrutura das estradas. Do total de seis lotes de rodovias federais e estaduais, dois já estão sob concessão privada, e outros dois devem ser leiloados ainda neste ano.

O estudo realizado pela confederação avaliou que o Brasil tem 2,6 mil pontos críticos em rodovias. Do total, 67% são federais e 33% estaduais. O Paraná está apenas na 16ª colocação, com 1,4% das estradas apontadas problemáticas. Na região Sul, o Rio Grande do Sul lidera com 59 locais, ou o equivalente a 2,2% de todo o país. Santa Catarina está em terceiro, com 34, que corresponde a 1,3%.

A CBN Curitiba entrou em contato com o DER-PR, que afirmou que cuida de 12 mil quilômetros de estradas onde há serviços de operação e manutenção, com serviço de atendimento por telefone 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo feriados, pelo telefone 0800-400-0404.

A reportagem também tentou contato por telefone e e-mail com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para saber quais ações emergenciais serão tomadas até o início ou a conclusão das obras previstas pelas concessões das rodovias pedagiadas, mas não obteve resposta.