A partir desta quarta-feira (1º), um ônibus movido 100% a Gás Natural Veicular (GNV) rodará nas ruas de Curitiba e Região Metropolitana. O objetivo é testar o veículo em uma linha metropolitana do transporte coletivo urbano pelo período de 30 dias e certificar os indicadores de eficiência, em especial a redução de 90% nas emissões de poluentes.

A iniciativa do Governo do Estado faz parte do projeto de mobilidade urbana sustentável a partir do uso do gás natural, realizado pela Compagas (Companhia Paranaense de Gás) em conjunto com a Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (AMEP) e a fabricante Scania.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior participou do lançamento do projeto nesta terça-feira (28). “Várias cidades no mundo já têm praticamente 80% da sua frota movida a gás natural. Esse é o primeiro ônibus que nós temos no Paraná para experimentar a eficiência, o custo operacional comparado a um ônibus movido a óleo diesel, além da questão ambiental, que é uma preocupação que nós temos a cada dia. É uma inovação que o Governo do Estado traz para o Paraná”, destacou o governador.

O uso deste combustível permite uma redução significativa de poluentes na atmosfera. Em relação ao diesel, o veículo a gás pode emitir até 20% menos CO2 – dióxido de carbono, o gás que provoca o efeito estufa. Os benefícios também estão ligados diretamente à saúde da população. A diminuição de óxidos de nitrogênio (NOx) é de quase 90% e a de material particulado chega a 85%. Os efeitos são de curto prazo, com um menor índice de doenças cardiovasculares e de perda de produtividade causada por esses poluentes.

Segundo Ratinho, caso seja viável, a ideia é expandir a frota de veículos do transporte público do Estado com ônibus que utilizem o gás natural no futuro. “Com os testes sendo aprovados, queremos ajudar os municípios a ampliar a sua frota movida a gás natural, para que o custo operacional fique mais baixo, já que o diesel no dia a dia acaba sendo caro para o transporte público”, acrescentou.

O ônibus em teste fará parte da frota da Viação São José e vai operar na linha São José / Guadalupe, percorrendo diariamente um trajeto de mais de 280 quilômetros entre São José dos Pinhais e Curitiba. O modelo fabricado pela Scania é o padron K 280, com 14 metros de comprimento e capacidade para 86 passageiros. Essa é a primeira vez que o veículo é testado em uma linha metropolitana.

Após o teste em conjunto com a AMEP, por meio da Viação São José, a expectativa é que o ônibus circule por mais 30 dias pela capital paranaense em uma linha municipal, em ação conjunta com a Prefeitura de Curitiba. O ônibus a gás também estará exposto durante a Smart City Expo World Congress, que acontecerá em Curitiba entre os dias 22 a 24 de março, no Centro de Eventos Positivo, no Parque Barigui.

De acordo com o secretário estadual das Cidades, Eduardo Pimentel, a iniciativa vai ao encontro das políticas da gestão de adotar iniciativas inovadoras com foco em tecnologia aliada à sustentabilidade.

“É mais um passo para a modernidade que o Estado dá, um veículo que representa as novas energias, que traz economia e boa autonomia. É mais uma prova que o Estado está atento às novas ações de mobilidade, hoje uma das prioridades dos gestores dos grandes centros urbanos”, destacou Pimentel. “Há exemplos em outros países do mundo, como Colômbia e Espanha, em que esse veículo já funciona muito bem. Agora o colacamos em teste aqui e, com isso, vamos avançar muito na questão de mobilidade”.

“Temos certeza que nesta demonstração na Região Metropolitana de Curitiba comprovaremos aos operadores e ao órgão gestor todas as vantagens da solução a gás”, afirma Celso Mendonça, gerente de Vendas de Soluções de Mobilidade da Scania Operações Comerciais Brasil.

REDUÇÃO DE CUSTOS – Para o CEO da Compagas, Rafael Lamastra Junior, o projeto posiciona o Paraná em um movimento de destaque em sustentabilidade e mobilidade urbana, já que oferece redução de custo e um veículo menos poluente. O gás natural, reforça ele, é reconhecido como uma energia verde e colabora diretamente para a transição energética com melhor competitividade.

“Estamos em um momento de substituição de frota na cidade e na RMC e queremos aproveitar essa oportunidade para inserir um transporte mais sustentável e econômico, que utilize um combustível interessantíssimo como o gás natural”, explicou. “Junto ao Governo, vamos trabalhar em uma política pública com incentivo para que haja realmente um benefício financeiro. As administrações públicas buscam reduzir custos, seja para a população, seja para os governos que subsidiam esse sistema”.

O diretor-presidente da AMEP, Gilson Santos, destaca que adotar veículos movidos a gás natural pode ter um impacto econômico significativo para os estados e municípios, o que refletiria diretamente no custo para o usuário.

“O Estado quer ter uma ação expressiva com a tarifa social para que possamos trazer esse usuário de uma forma mais barata, e tudo isso tem uma relação muito forte com o tipo de veículo que utilizamos. A ideia de fazer essa experiência com esse ônibus a gás vem ao encontro de buscar novas tecnologias, um custo que seja mais acessível para o gestor, para o Estado e para o usuário que paga tarifa”, afirmou.

TECNOLOGIA – Conforme explica Cristiano Locatelli, diretor da Cotrasa, a Casa Scania que atende a região, dentre as tecnologias menos poluentes, os veículos movidos a gás natural são mais viáveis do que os elétricos, por exemplo. “Ter a oportunidade de realizar a demonstração do ônibus urbano a gás, mais uma vez em nossa região, é um grande privilégio para reforçar que esta solução, além de sustentável, é extremamente viável”, disse.

“A eletrificação do transporte é um caminho, mas sabemos que ainda não é acessível, por isto podemos explorar e aproveitar outras opções, como o veículo a gás. O Paraná é um Estado marcado pelo compromisso, seriedade, muito trabalho e inovação, características que têm tudo a ver com esse projeto”, afirmou.

Para viabilizar os ônibus a gás não são necessárias alterações significativas nos projetos das carrocerias. As instalações dos cilindros de gás podem ser feitas entre as longarinas do chassi (abaixo do assoalho) ou sobre o teto. Caso seja necessária uma autonomia maior, é possível avaliar a colocação de mais cilindros.

O modelo testado é o K 280 4×2, que tem propulsor de 280 cavalos de potência, motor Ciclo Otto (o mesmo conceito dos automóveis) e é movido 100% a gás e biometano, ou mistura de ambos. Não é convertido do diesel para o gás, tem desempenho consistente e força semelhante ao similar a diesel, além de ser mais silencioso. Para o ônibus em teste, foram instalados oito cilindros de gás na lateral dianteira com uma autonomia de 300 km.

De acordo com a fabricante, a segurança é total em caso de acidentes. Os cilindros, feitos com ogivas de mísseis, e as três válvulas do veículo são certificados pelo Inmetro. Em caso de incêndio ou batida, o gás é liberado para a atmosfera e se dissolve sem perigo de explosão, ao contrário de um veículo similar abastecido a diesel, pois o líquido fica no chão ou pode se espalhar ao longo da carroceria.

Redação com Assessoria