Nesta segunda-feira (25), completa-se uma semana do ataque de uma quadrilha a uma transportadora de valores e também a um Batalhão da Polícia Militar de Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná. Um policial morreu e outro ficou ferido mas, por enquanto, nenhum suspeito foi preso.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), cerca de 30 criminosos chegaram na cidade na noite do dia 17 de abril, Domingo de Páscoa, e iniciaram os ataques.

Conforme a Sesp, a quadrilha incendiou três caminhões, um na entrada da cidade e dois em frente ao 16º Batalhão da Polícia Militar, como forma de tentar evitar a ação policial durante a tentativa de assalto a uma transportadora de valores que fica na cidade.

Vídeos feitos por moradores da cidade registraram as explosões, os tiros e até o momento em que pessoas foram feitas reféns e serviram como escudo em um possível confronto entre os bandidos e os policiais.

Conforme a Polícia Federal, os criminosos não conseguiram acessar o cofre da transportadora de valores e fugiram sem levar o dinheiro.

Um morador da cidade ouvido pela CBN Curitiba, que vive na região onde fica a transportadora, relatou os momentos de tensão vividos durante a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira.

A Polícia Militar contou com um reforço policial de mais de 200 militares que tentaram fazer um cerco na região, mas até a manhã desta segunda-feira, nenhum suspeito envolvido diretamente no ataque havia sido preso.

Na ocasião, o secretário de Segurança do Paraná, Rômulo Marinho Soares, afirmou que um plano de contingência fez os criminosos fugirem e garantiu que não houve falha no serviço de inteligência que já previa um ataque no estado após quadrilhas atacarem em São Paulo e em Santa Catarina.

Apesar da afirmação sobre o plano de contingência, policiais militares atuantes na cidade afirmaram que não houve plano, mas sim, uma ação dos próprios policiais para evitar que os criminosos conseguissem realizar o assalto.

Durante as investigações da última semana, duas pessoas foram levadas pela polícia para a delegacia da cidade, uma suspeita de participar da parte logística da quadrilha, fornecendo o armamento e outra que tinha um ferimento na perna. No entanto, os dois foram ouvidos e liberados.

Ainda na última semana, durante um confronto em uma área rural de Guarapuava, a polícia apreendeu carros, armamentos e munições que foram usados pelos criminosos durante o ataque. Ao menos cinco veículos utilizados eram blindados.

Além disso, policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo, descobriram um depósito de armas, coletes e munições que pode ter sido utilizado pela quadrilha envolvida no ataque.

Conforme a Polícia Civil de São Paulo, o depósito foi encontrado em um sítio em Araçariguama, a cerca de 50 quilômetros da capital paulista. O arsenal foi encontrado no sótão da casa principal do sítio, mas ninguém foi preso.

A partir desta segunda-feira, o Governo do Paraná afirmou que haverá reforço na força-tarefa para investigar os ataques. Atualmente, a força-tarefa é composta pelas polícias do Paraná (Civil, Militar e Científica), Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, além de Polícias Civis de outros estados.

O delegado Rubens Miranda, chefe da Subdivisão da Polícia Civil do Paraná (PCPR) em Guarapuava, afirmou que o objetivo é identificar o mais rápido possível os envolvidos no ataque.

Neste final de semana, a Polícia Militar do Paraná confirmou a morte do soltado Ricieri Chagas que foi baleado no rosto durante o ataque ao batalhão da PM.

O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) informou que os órgãos do policial serão doados e podem beneficiar, pelo menos, oito pessoas.

Segundo a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) do hospital, foram captados as córneas, coração, rins, fígado, baço e linfonodos.

O corpo do policial foi velado neste domingo (24) no 16º Batalhão da Polícia Militar e o sepultamento acontece nesta segunda-feira.

O Governo do Paraná decretou luto de três dias pela morte do oficial.