Vários paranaenses relataram, principalmente pelas redes sociais, que receberam mensagens com apoio ao atual presidente Jair Bolsonaro e incitando a invasão do Supremo Tribunal Federal (STF) em caso de derrota nas urnas. O fato foi registrado no último sábado (24).

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, foi feita uma denúncia, que será analisada por um juiz da corte e levada a julgamento. Já o Núcleo de Combate aos Cibercrimes (NUCIBER) foi acionado para investigar a origem dos disparos das mensagens.

A suspeita é de que a base de dados de serviços públicos, como o Detran do Paraná e a plataforma de inteligência artificial do estado, PIÁ, tenha sido usada para o envio das mensagens. Mario Toews, DPO e especialista em Segurança da Informação, afirma que um vazamento pode ter ocorrido e que a vigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) prevê punições nestes casos.

Em nota à CBN, o governo do estado do Paraná informou que “as mensagens de cunho político enviadas por SMS foram feitas a partir de uma empresa terceirizada, a Algar Telecom, sem qualquer iniciativa e envolvimento da Celepar e do Governo do Estado. Em nenhum momento a Celepar teve ciência, autorizou ou enviou qualquer tipo de mensagem.

O caso é grave e os responsáveis serão penalizados na forma da lei. Os órgãos policiais e eleitorais já foram acionados em todas as esferas e os boletins de ocorrência realizados para fins de investigação”.

Ainda de acordo com o governo, a Celepar notificou a empresa terceirizada para que preste os esclarecimentos.

A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) informou que o Nuciber já iniciou as investigações para apurar os responsáveis pelo disparo em massa de mensagens SMS irregulares, pela empresa Algar Telecom. A SESP disse ainda que vai direcionar “policiais especializados que deverão atuar em colaboração a órgãos federais”.

A Algar Telecom foi procurada pela reportagem da CBN Curitiba e por meio de nota disse que “confirma a ocorrência de um acesso indevido à parte da sua base de dados, que ocasionou um disparo em massa de mensagens via SMS não autorizado pela empresa”. Ainda segundo a nota, a Algar Telecom diz que começou “uma investigação interna com o apoio de consultores especializados, a fim de identificar as causas, adotar medidas mitigadoras necessárias e tomar as providências técnicas e legais em resposta ao ocorrido”.

Ainda na nota a Algar Telecom diz que reitera que “a proteção dos dados de nossos clientes, funcionários e da própria empresa é primordial para a Algar Telecom”.