O juiz Eduardo Appio, afastado da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (31), em Curitiba. A oitiva aconteceu durante a auditoria realizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e que segue até sexta-feira (2).

A informação foi divulgada pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná. O depoimento aconteceu de maneira remota e durou cerca de duas horas e meia, terminando por volta das 18h. O CNJ realiza auditorias na vara onde tramita a Operação Lava Jato e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

O magistrado foi afastado do cargo em 22 de maio por suspeita de ter ligado, se passando por um servidor da Justiça Federal, para o filho do então relator dos processos da Lava Jato, desembargador Marcelo Malucelli. O filho dele, João Malucelli, é sócio do ex-juiz e senador Sérgio Moro (União Brasil).

Depois da ligação, o desembargador pediu para deixar a relatoria e denunciou Eduardo Appio por supostamente ser o autor dos telefonemas onde tentava informações de maneira indevida. Em decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Appio foi afastado do cargo.

Por outro lado, o juiz pediu para que o CNJ investigasse a conduta do tribunal. O conselho decidiu realizar, nesta semana, uma auditoria tanto na sede do tribunal que o afastou do cargo quanto na vara que cuida da Operação Lava Jato. O objetivo é verificar se há irregularidade na conduta dos magistrados.

Dentre os locais que passam por investigação, está o gabinete do desembargador Marcelo Malucelli. Na segunda-feira (29), Appio ingressou com um pedido para que o CNJ investigasse ainda a conduta dos magistrados em seu afastamento. Para a defesa dele, houve parcialidade na decisão. Os advogados questionam o fato dele não ter sido ouvido antes de ser retirado.

O juiz acabou sendo substituído por Gabriela Hardt, que cuidou de processos da Operação Lava Jato em duas oportunidades. Porém, ela pediu para sair do cargo para assumir funções em Santa Catarina. Para a auditoria, são solicitados documentos, sigilosos ou não, da vara que cuida da Operação Lava Jato e da 8ª Turma do TRF-4.