A Justiça retirou nesta quinta-feira (23) o sigilo dos documentos que comprovam o plano de sequestro do senador Sergio Moro (União Brasil) e do promotor de Justiça Lincoln Gakiya. Com isso, a situação orquestrada pela facção criminosa PCC foi revelada. De acordo com o Ministério Público no relato da ação, que terminou com uma operação da Polícia Federal que desmantelou o plano, os bandidos teriam gasto cerca de R$5 milhões para a execução. O objetivo principal era libertar o líder da facção Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A narrativa apresentada a justiça depois da operação Sequaz da PF, é embasada em prints de conversas pelo whatsapp, registros em cadernos, vídeos, interceptações telefônicas e listagens em aplicativos do celular de integrantes da quadrilha. As informações enviadas à 9ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, e de decisões da juíza Gabriela Hardt, mostram que a ideia era sequestrar e matar Moro e a família. Os bandidos alugaram casas próximo da residência do senador, na capital paranaense, também perto do seu escritório e realizaram campanas acompanhando a rotina da família.

O plano falhou após o depoimento de um ex-integrante do PCC ao Grupo Especial de Investigações Sensíveis da Polícia Federal. O senador foi colocado sob escolta enquanto foram realizados 45 dias de investigações que terminaram com nove pessoas presas.

Os alvos estariam ligados também por questões de histórico em relação ao crime organizado. Moro, quando foi ministro da Justiça e Segurança Pública, coordenou a transferência e o isolamento de lideranças do PCC para presídios federais, entre eles Marcola. Já Lincoln Gakiya integra o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e é responsável por investigações sobre a facção.