Curitiba ficou em 3º lugar entre as capitais com maior percentual de tabagismo no país, com 11,3% da população da cidade de fumantes, segundo dados do último boletim divulgado, em 2021, pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel). A capital paranaense ficou atrás apenas de Brasília, com 11,75%, e Campo Grande, com quase 14,5%.

Já em relação às pessoas que usam dispositivos eletrônicos, o estudo apontou que a capital ficou com a 6ª colocação, com 9,25% dos usuários de cigarro eletrônico, de acordo com a pesquisa Dispositivos Eletrônicos para Fumar, para Política Nacional de Controle do Tabaco, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Nesse estudo, Curitiba ficou atrás do Distrito Federal (12,81%), Campo Grande (12,15%), Florianópolis (10,66%), Goiânia (10,31%) e Rio Branco (9,33%).

A relativa proximidade de Curitiba com a fronteira também ajudaria a tornar mais fácil o acesso a esses dispositivos eletrônicos de fumar, contribuindo com os altos números de fumantes na capital paranaense.

Conforme a pesquisa, o cigarro eletrônico tem maior adesão entre a população mais jovens, já que mais de 35% dos jovens entre 18 e 24 anos responderam que já experimentaram cigarro eletrônico, além de cerca de 13% na faixa etária entre 25 a 34 anos, o que justifica a preocupação dos órgãos de saúde de que esta seja uma porta de entrada para o tabagismo.

Os dados indicaram que 21,5% do público masculino adolescente de Curitiba, com idade entre 13 e 17 anos disseram ter fumado cigarro em algum momento, entre os que experimentaram narguilé o índice foi de 49%. O cigarro eletrônico foi usado por 27,5% dos jovens curitibanos, deixando a cidade em quarto lugar apenas para o público jovem entre as capitais.

Estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), do Rio de Janeiro, publicado em 2021, analisou a preferência do uso dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar nas 26 capitais brasileiras e também no Distrito Federal. A pesquisa verificou que cerca de 80% das pessoas que já consumiram cigarros eletrônicos têm entre 18 e 34 anos.

O médico pneumologista e professor do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Eric Grieger Banholzer, contou o motivo pelo qual esse tipo de cigarro agradar tanto o púbico jovem.

O número de substâncias tóxicas existentes no cigarro eletrônico foi outro ponto abordado pelo pneumologista.

Segundo o médico, há muitos riscos de doenças graves para quem consome cigarros eletrônicos.

Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, os fumantes passivos podem ser os mais prejudicados, pois inalam até 50 vezes mais substâncias cancerígenas devido à fumaça.

Eric Grieger Banholzer explicou que há muitos mitos e mentiras relacionados aos dispositivos eletrônicos de fumar.

O vereador Tico Kuzma (Pros) protocolou, na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), um projeto de lei para ampliar o alcance da Lei Antifumo e banir de lugares fechados todos os tipos de cigarro eletrônico. O parlamentar também disse que vai solicitar que sejam feitas ações educativas sobre os efeitos do cigarro eletrônico.

Depois de passar pelas comissões, o projeto estará pronto para ser votado em plenário. Sendo aprovado em dois turnos, a proposta será encaminhado para a sanção do prefeito.