O doleiro Alberto Youssef foi preso na segunda-feira (20) e deve participar de uma audiência de custódia nesta terça (21). A decisão de uma nova prisão preventiva foi tomada após o novo juiz da Lava Jato, Eduardo Appio revogar a suspensão de um processo veiculado a Receita Federal. Youssef estava em liberdade condicional após assinar um acordo de delação premiada para o então juiz Sergio Moro, onde relatou como funcionava parte do esquema de pagamento de propina e desvio de dinheiro público.

De acordo com o despacho, o juiz entendeu que o acordo de delação premiada não poderia suspender o processo de investigação da Receita Federal por 10 anos, conforme prevê uma das condições do aceite do Ministério Público Federal (MPF). O juiz da 13ª vara federal de Curitiba diz que Youssef é investigado em 28 processos e 13 deles estariam suspensos em razão do acordo. No entanto, justifica que “o investigado foi um verdadeiro arquiteto de diversas organizações criminosas ao longo dos últimos 20 anos”, e que a sua multireincidência mostra que ele não estaria apto a ficar em liberdade provisória.

O juiz considera que o doleiro é um criminoso de “enorme periculosidade social e caráter voltado à prática de crimes financeiros de colarinho branco”. No despacho, há também a citação da mudança de endereço, não comunicada à justiça, a não devolução de valores subtraídos durante os esquemas de corrupção e as incossistências encontradas pela Receita Federal sobre o patrimônio de Youssef.

Ele foi preso na cidade de Itapoá, em Santa Catarina e conduzido até a sede da Polícia Federal (PF) para participar da audiência via zoom, quando o juiz deve decidir para qual unidade prisional o doleiro deve ser encaminhado.